Antonio Sebastião de Lima
As profecias podem resultar das intuições válidas, do delírio ou do cálculo do profeta. As intuições válidas resultam do contato direto da mente do profeta com a mente divina, mas nem sempre são bem transmitidas ou interpretadas, tendo em vista as limitações impostas pela razão e pela linguagem. Ademais, o fato de revelarem conhecimento sobre coisas futuras, não significa que essas coisas venham a ter realização histórica. Tomando consciência da revelação, os seres humanos que tiverem maior grau de inteligência e bom senso, caso não desejem a realização daquilo que foi revelado, poderão mudar o rumo dos acontecimentos, mediante pensamentos e atitudes que levem a resultados opostos ou diferentes. A realização histórica da profecia acabará por depender da vontade humana e poderá funcionar, de um lado, como advertência contra os perigos que revela, e de outro, como estímulo para a realização das boas coisas que anuncia.
O delírio é uma exaltação do espírito, um excesso de paixão, que coloca o profeta no campo alucinatório, como aconteceu com João, ao escrever o Apocalípse. O cálculo resulta da premeditação do profeta, que se aproveita da sua autoridade moral para elaborar prognósticos a fim de obter determinado resultado. A profecia messiânica, por exemplo, resulta do cálculo do profeta, para reforçar o elo psicológico que mantém a nação unida, na expectativa de receber o Messias dentro da sua comunidade.
Os hebreus permaneceram 430 anos no Egito, de onde saíram para a Palestina, por volta de 1250 AC, como se esta lhes pertencesse por direito divino, porque doada a Abraão pelo deus Javé (Jwhw). Expulsaram, mataram e dominaram os nativos, com o apoio desse deus, mas, também, foram mortos e dominados por outros povos, numa sucessão de vitórias e revezes (Josué, Juízes, Reis, Crônicas). A doação divina de um território próprio (da torrente do Egito até o grande Eufrates) e a profecia da vinda de um salvador (messias) que os livrasse das ameaças externas e assegurasse o seu império sobre todos os povos, mantiveram os hebreus unidos nas suas vicissitudes históricas desde Moisés, reforçando-lhes o caráter nacional. A conquista de Canaã parecia consolidada sob os governos de Davi e Salomão, mas, veio o cisma entre as tribos de Israel, em 930 AC. Desde 722 AC, com a invasão assíria, o território foi sendo ocupado, sucessivamente, pelos babilônios, gregos e romanos, até o ano 70 DC, quando Jerusalém foi destruída e o povo judeu disperso pelo mundo.
Antes do domínio romano, Judas Macabeu libertara a Judéia, em 175 AC, que experimentou um século de independência, até 63 AC, quando foi invadida pelo exército de Pompeu. Essa lembrança aumentava a ansiedade dos judeus pela vinda de um Messias que os livrasse do jugo romano. Jesus apresentou-se, mas, não foi aceito, porque se recusava a liderar um movimento armado e pregava uma nova doutrina. Crucifixaram-no. Após séculos de dispersão, os judeus obtiveram no século XX da era cristã, um território delimitado na Palestina, por decisão da ONU, com o apoio do embaixador brasileiro.
Fundaram o Estado de Israel. Tão logo se sentiram fortes, os judeus invadiram território árabe, instalando ali suas colônias. Mataram prisioneiros no Sul do Líbano. Equipados com armas de fogo, continuam a matar civis palestinos, estes armados de pedras de arremesso manual.
A partir da década de 60, do século XX, os judeus começam a tirar proveito das suas vicissitudes históricas e da desgraça do chamado holocausto, sacrifício de vidas humanas no altar do nazismo, alardeando-as de modo persistente e constante, através de filmes, reportagens, documentários, livros e artigos, valendo-se de todos os meios de comunicação social e de cerimônias públicas, para mantê-las vivas na memória dos povos e, assim, obter a simpatia do mundo, ao mesmo tempo em que no campo político e econômico, seus líderes civis e militares agem de modo violento e imperial, com a cumplicidade e o apoio dos EUA, como se a tanto aquelas desgraças do passado lhes dessem permissão.
Tais desgraças constituem o carma coletivo da nação judia, por ela provocada mediante atitudes de ingratidão, arrogância, intolerância e violência, como estas que ora presenciamos, ou como aquelas que culminaram com a crucifixão de Jesus, o Cristo.
Antonio Sebastião de Lima é advogado, juiz de direito aposentado
e professor de Direito Constitucional
e-mail: anselima@hotmail.com
Janeiro de 2001.
