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JUDEUS EVENENARAM A ÁGUA DOS PALESTINOS
Biografia de um carniceiro


 

 

Direitista é polêmico na política e na guerra

Embora alguns o achem um ótimo estrategista militar, outros não o perdoam por massacres

ELÍAS L. BENARROCH

 
EFE
JERUSALÉM - O candidato a primeiro-ministro pela direita nacionalista, Ariel Sharon, é tão polêmico na vida política quanto nos campos de batalha.
Embora alguns o considerem o melhor estrategista militar israelense, outros não perdoam sua responsabilidade pela morte de centenas de pessoas, tanto entre israelenses quanto entre palestinos.
Nascido há 72 anos, de uma família de agricultores originária da Rússia, em um kibutz nas proximidades de Tel-Aviv, Sharon começou sua vida política em 1973, depois de um longa carreira militar durante a qual esteve encarregado das operações de represália contra os "fedayin" (guerrilheiros) palestinos, na década de 50.
Curiosamente, Sharon ingressou no Exército israelense a partir de uma organização armada clandestina controlada pela esquerda - o Haganah - e não a partir das organizações de direita.
Já desde o começo passou a ser conhecido por suas insubordinações. Em repetidas ocasiões desacatou ordens superiores que custaram a vida de dezenas de seus homens, como aconteceu na batalha da passagem de Mitla (1956) ou na matança na aldeia de Qibya, pela qual foi responsabilizado pelos palestinos.
De sua história militar, é lembrada também a execução sem julgamento de dirigentes palestinos em Gaza e o envenenamento de poços de água para expulsar do território uma população beduína e construir assentamentos judaicos no local.
Encerrada a primeira etapa de sua carreira militar, o líder da direita israelense, conhecido por sua linha dura em relação aos árabes em geral e aos palestinos em particular, ingressou na política pelo Partido Liberal, no qual seu então aliado seria mais tarde o primeiro-ministro de Israel, o direitista Menachem Begin.
Sharon foi a força pujante da primeira aliança política contra a devolução dos territórios palestinos ocupados na Guerra dos Seis Dias (1967), o Likud, agremiação que abandonou poucos meses depois quando foi convocado de novo para o Exército, durante a Guerra de Yom Kipur (1973).
Sharon abandonou a farda em 1974, mas só voltaria ao Likud três anos depois, quando Begin o nomeou ministro da Agricultura.
Entretanto, ele havia formado seu próprio partido - o Shlomtzion (A Paz de Sion) -, e criado um hipotético plano para negociar com a Organização da Libertação Palestina (OLP), de Yasser Arafat.
Como ministro da Agricultura (1977-1981), Sharon encarregou-se de povoar a Cisjordânia com assentamentos judaicos e, em reconhecimento pelo seu trabalho, Begin nomeou-o ministro da Defesa em seu segundo governo (1981-1983).
A indisciplina e a personalidade controvertida de Sharon viriam à tona novamente durante a Guerra do Líbano (1982-1985), na qual ele levou Israel a participar convencendo Begin de que se tratava de uma operação de pequena escala.
O episódio mais trágico dessa guerra foi o massacre de cerca de 2 mil palestinos pelas falanges libanesas cristãs, nos campos de refugiados de Sabra e Shatila (1982), que estavam sob a vigilância exclusiva do Exército israelense.
 

 

Jornal judaico O Estado de São Paulo
6 de fevereiro de 2001


 

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