do original em inglês de Richard Harwood
Claro, propaganda de atrocidades não é nada novo. Ela acompanhou cada conflito no século XX e sem dúvida continuará a fazê-lo. Durante a Primeira Guerra Mundial, os alemães foram acusados de devorar bebês belgas, bem como se divertir em jogá-los para o alto e trespassá-los com baionetas. Os britânicos também alegavam que as forças alemãs estavam operando uma "Fábrica de Corpos", na qual eles cozinhavam os corpos de seus próprios mortos para obter glicerina e outras mercadorias, um insulto calculado à honra do Exército Imperial. Depois da guerra, entretanto, vieram as retratações; de fato, uma declaração pública foi feita pelo Secretário de Assuntos Estrangeiros na Câmara dos Comuns pedindo desculpas pelos insultos à honra alemã, admitindo que estes eram propaganda de guerra.
Nenhuma declaração parecida foi feita após a II Guerra. De fato, ao invés de diminuir com a passagem dos anos, a propaganda de atrocidades no que se refere à ocupação alemã, e em particular seu tratamento em relação aos judeus, nada fez além de aumentar sua virulência, e rebuscar o catálogo de horrores. Horríveis livros continuam a sair das editoras, adicionando continuamente à crescente mitologia dos campos de concentração, e, especialmente, á história de que não menos de Seis Milhões de Judeus foram exterminados neles. As páginas seguintes irão revelar que esta afirmação é a mais colossal ficção e o engano de maior sucesso; mas aqui pode ser feita uma tentativa de responder a uma importante questão: O que fez o destino das histórias de atrocidades da Segunda Guerra Mundial ser tão diferente do das da Primeira Guerra? Porque as últimas foram retiradas, enquanto as primeiras são reiteradas mais alto do que nunca? É possível que a história dos Seis Milhões esteja servindo a um propósito político, e mesmo que seja uma chantagem política?
Até onde o povo judeu esteja preocupado, este engano tem sido de um bem incalculável. Toda raça e nacionalidade teve sua quota de sofrimento na Segunda Guerra Mundial, mas nenhuma foi tão elaborada com sucesso e transformada em tão grandes vantagens. A alegada extensão de sua perseguição rapidamente enviou simpatia para o Lar Nacional Judeu que eles haviam buscado por tanto tempo; depois da guerra, o governo britânico fez pouco para evitar a imigração judaica à Palestina que eles haviam declarado ilegal, e não foi muito depois que os sionistas conseguiram o governo da terra da Palestina, e criaram seu refúgio contra a perseguição, o Estado de Israel. De fato, é um acontecimento digno de nota que o povo judeu emergiu da Segunda Guerra Mundial como nada menos que uma minoria triunfante. Dr. Max Nussbaum, ex-rabino chefe da comunidade judaica de Berlim, declarou a 11 de abril de 1953: "A posição que o povo judeu ocupa no mundo hoje - apesar das perdas enormes - é dez vezes mais forte do que há dez anos atrás". Deve ser também dito, se quisermos ser honestos, que esta força foi muito consolidada financeiramente pelo suposto massacre de Seis Milhões, sem dúvida a mais lucrativa alegação de atrocidade de todos os tempos. Até hoje, o impressionante total de seis mil milhões de libras foi pago como compensação pelo Governo Federal da Alemanha Ocidental, em sua maioria ao Estado de Israel (que sequer existia na Segunda Guerra), bem como a pedintes judeus individuais.
Em termos de chantagem política, entretanto, a alegação de que Seis Milhões de Judeus morreram durante a II Guerra Mundial tem implicações bem mais longínquas para os povos da Grã-Bretanha e da Europa, do que simplesmente as vantagens que deu à nação judaica. E aqui vem o ponto crucial da questão: Por quê a Grande Mentira? Qual é o seu propósito? Em primeiro lugar, tem sido utilizada bem inescrupulosamente para desencorajar toda a forma de nacionalismo. Se o povo da Grã-Bretanha ou de qualquer outro país europeu tentar afirmar seu patriotismo e preservar sua identidade nacional numa época em que a própria existência dos Estados-Nações está ameaçada, eles seriam imediatamente declarados "neonazistas". Isto porque, claro, nazismo era nacionalismo, e todos sabemos o que ocorreu então: Seis Milhões de Judeus foram exterminados! Então, enquanto o mito for perpetuado, os povos em todo o mundo ficarão escravizados a ele; a necessidade de tolerância e entendimento internacionais será paulatinamente destruída pelas Nações Unidas, até que a nação e o sentimento nacional em si mesmos, a grande garantia da liberdade, sejam destruídos.
Um exemplo clássico do uso dos "Seis Milhões" como uma arma anti-nacional aparece no livro de Manvell e Frankl, The Incomparable Crime (O Crime Incomparável, Londres, 1967), que fala de "Genocídio no Século XX". Qualquer um com orgulho em ser britânico ficará um pouco surpreso com o violento ataque feito ao Império Britânico neste livro. Os autores citam Pandit Nehru, que escreveu o seguinte enquanto numa prisão britânica na Índia: "Desde que Hitler emergiu da obscuridade e se tornou o Führer da Alemanha, nós ouvimos bastante sobre racialismo e a doutrina do "Herrenvolk" (Povo de Senhores)... Mas na Índia nós conhecemos o racialismo em todas as suas formas desde o começo do domínio britânico. Toda a ideologia deste domínio era a do "Herrenvolk" e da raça superior... Índia como uma nação e indianos como indivíduos eram sujeitos à insultos e à humilhação. Os ingleses eram uma raça imperial, éramos ensinados, com o direito dado por Deus de nos governar e nos manter em sujeição; se protestávamos éramos lembrados das ‘qualidades de tigre de uma raça superior’". Os autores Manvell e Frankl então exemplificam perfeitamente o ponto para nós: "As raças brancas da Europa e da América", escrevem, "se acostumaram durante séculos a se considerarem como um 'Herrenvolk'. O século 20, o século de Auschwitz, também alcançou o primeiro estágio do reconhecimento da associação multi-racial" (ibid. p. 14).
Alguém dificilmente poderia não perceber o objetivo dessa diatribe, com sua dica sobre "associação multi-racial". Portanto a acusação dos Seis Milhões é usada não somente para minar o princípio da Nação e orgulho nacional, mas ameaça a sobrevivência da Raça em si mesma. É infundida na cabeça da população, como o medo do fogo do inferno e da danação eterna o eram na Idade Média. Muitos países do mundo anglo-saxônico, notadamente Grã-Bretanha e Estados Unidos, estão frente a frente com o maior perigo de sua História, o perigo representado por raças estrangeiras em seu meio. A não ser que algo seja feito na Grã-Bretanha para parar a imigração e a assimilação de asiáticos e africanos, nós veremos em um futuro próximo, bem diferente da matança em um conflito racial, com a alteração biológica e destruição do povo britânico como ele existiu desde a vinda dos saxões. Resumindo, estamos sendo ameaçados com a perda irrecuperável da nossa cultura européia e de nossa herança racial. Mas o que acontece com alguém que ousa falar do problema racial, e de suas implicações políticas e biológicas? Ele é declarado a mais odiosa das criaturas, um "racialista". E o que é racialismo: claro, a porta de entrada do Nazismo! Eles (a todo mundo é contado, de qualquer maneira) mataram Seis Milhões de Judeus por causa do racialismo, então deve ser algo na verdade muito mau. Quando Enoch Powell chamou atenção aos perigos criados pela imigração de pessoas de cor à Grã-Bretanha em um de seus primeiros discursos, um certo proeminente socialista levantou o espectro de Dachau e Auschwitz para silenciar seus argumentos.
Portanto qualquer discussão racional sobre os problemas da Raça e o esforço para preservar a integridade racial são efetivamente desencorajados. Ninguém poderia ter outra coisa além de admiração pela maneira com que os judeus conseguiram preservar sua raça depois de tantos séculos, e continuam a fazê-lo hoje. Neste esforço eles foram francamente ajudados pela história dos Seis Milhões que, quase como um mito religioso, deram acento à necessidade de maior solidariedade racial entre os judeus. Infelizmente, trabalhou quase no sentido oposto para todos os outros povos, tornando-os impotentes em seu esforço para auto-preservação.
O objetivo das próximas páginas é simplesmente dizer a Verdade. O eminente historiador norte-americano Harry Elmer Barnes uma vez escreveu que "uma tentativa de se fazer uma competente, objetiva e verdadeira investigação da questão do extermínio... é certamente a tarefa mais precária que um historiador ou demógrafo poderia tentar fazer hoje". Em tentar esta tarefa precária, esperamos fazer alguma contribuição, não apenas à verdade histórica, mas na direção de retirar o peso de uma mentira de nossos próprios ombros, para que possamos livremente confrontar os perigos que ameaçam a todos nós.
Richard E. Harwood, 1974
Certa ou erroneamente, a Alemanha de Adolf Hitler considerava os judeus como elementos desleais e avarentos dentro da comunidade nacional, bem como uma força de decadência na vida cultural da Alemanha. Isto era considerado particularmente insalubre desde que, durante o período de Weimar, os judeus haviam ascendido a uma posição de notável força e influência na nação, particularmente nas Leis, Finanças e Mídia de Massa, apesar de constituírem apenas 5 por cento da população. O fato de que Karl Marx era judeu e que judeus como Rosa Luxemburg e Karl Liebknecht eram desproporcionalmente proeminentes dentro da liderança dos movimentos revolucionários na Alemanha, também tendeu a convencer os nazistas das poderosas tendências internacionalistas e comunistas do povo judeu em si mesmo.
Não é parte da discussão aqui argumentar se a atitude alemã em relação aos judeus era certa ou não, ou julgar se as medidas legislativas contra eles eram justas ou injustas. Nossa preocupação é simplesmente com o fato de que, acreditando isto dos judeus, a solução dos nazistas ao problema era privá-los de sua influência na nação por meio de vários atos legislativos, e, mais importante de tudo, encorajar sua imigração para fora do país. Por 1939, a grande maioria dos judeus alemães tinham emigrado, todos eles com uma proporção considerável de seus bens. Nunca, em tempo algum, tinha a liderança nazista contemplado uma política de genocídio contra eles.
.É muito significante, entretanto, que certos judeus foram velozes em interpretar estas políticas de discriminação interna como equivalente a exterminação em si mesmas. Um livro de propaganda anti-alemã de 1936 feito por Leon Feuchtwanger e outros intitulado Die gelbe Fleck: Die Ausrottung von 500,000 deutschen Juden (O Ponto Amarelo: A Exterminação de 500.000 Judeus Alemães, Paris 1936), nos dá um exemplo típico. Apesar de sua falta de bases de fato, a aniquilação dos judeus é discutida desde as primeiras páginas - emigração para fora sendo considerada como "extermínio físico" dos judeus alemães. Os campos de concentração nazistas para prisioneiros políticos também são vistos como instrumentos potenciais de genocídio, e referência especial é feita aos 100 judeus ainda presos em Dachau em 1936, dos quais 60 estavam lá desde 1933. Um exemplo mais a fundo era o sensacional livro do comunista judeu-alemão Hans Beimler, chamado Four Weeks in the Hands of Hitler’s Hell-Hounds: The Nazi Murder Camp of Dachau, que foi publicado em Nova York tão cedo quanto 1933. Preso por suas filiações marxistas, ele alegou que Dachau era um campo de extermínio, apesar de ele mesmo admitir que fora solto depois de apenas um mês lá. O regime atual na Alemanha Oriental dá agora um Prêmio Hans Beimler por serviços prestados ao Comunismo.
O fato de que propaganda anti-nazista de genocídio estava sendo disseminada em uma data tão recuada, por pessoas "suspeitas" por causa de sua raça ou idéia política, deveria sugerir extremo cuidado para um observador independente quando se aproximarem histórias similares do período da guerra.
O encorajamento da emigração judaica não deve ser confundido com o propósito dos campos de concentração na Alemanha pré-guerra. Estes eram usados para a detenção de oponentes políticos e subversivos - principalmente liberais, social-democratas e comunistas de todos os tipos, dos quais uma proporção era judia como Hans Beimler. Diferentemente dos milhões escravizados na União Soviética, a população dos campos de concentração alemães era sempre pequena; Reitlinger admite que entre 1934 e 1938 raramente excedeu 20.000 por toda a Alemanha, e que o número de judeus não passou de 3.000. (The S.S.: Alibi of a Nation, Londres, 1956. p.253).
A visão nazista da emigração judaica não estava limitada a uma política negativa de simples expulsão, mas formulada de acordo com as linhas do sionismo moderno. O fundador do sionismo político no século XIX, Theodor Herzl, no seu livro The Jewish State (O Estado Judeu), originalmente concebeu Madagascar como um lar nacional para os judeus, e esta possibilidade foi estudada seriamente pelos nazistas. Foi uma parte da plataforma do partido antes de 1933 e era publicada pelo partido em forma de panfleto. Dizia que a reaparição de Israel como o Estado judeu seria muito menos aceitável desde que iria resultar numa guerra perpétua e numa dissidência no mundo árabe, o que depois realmente aconteceu. Os alemães não foram originais em propor a inigração judaica à Madagascar; o governo polaco já tinha considerado a idéia a respeito de sua própria população judaica, e em 1937 eles mandaram missão a Madagascar de Michael Lepecki, acompanhado por representantes judeus, para investigar os problemas envolvidos.
A primeira proposta nazista para solução Madagascar foi feita em associação com o Plano Schacht de 1938. Seguindo o conselho de Goering, Hitler aceitou mandar o presidente do Reichsbank, Hjalmar Schacht, para Londres para discutir com os representantes judaicos Lord Bearsted e Mr. Rublee de Nova York (cf. Reitlinger, The Final Solution, Londres, 1953, pg. 20). O plano era de que as riquezas dos judeus alemães seriam congeladas como garantia para um empréstimo internacional para financiar a emigração judaica à Palestina, e Schacht mandou um relatório destas negociações a Hitler em Berchtesgaden a 2 de janeiro de 1939. O plano, que falhou devido à recusa britânica de aceitar os termos financeiros, foi pela primeira vez planejado em 12 de novembro de 1938 em uma conferência presidida por Goering, que revelou que Hitler já estava considerando a emigração dos judeus para uma colônia em Madagascar (ibid., pg. 21). Mais tarde, em dezembro, M. Georges Bonnet, o secretário do Estrangeiro francês, contou a Ribbentrop de que o governo francês mesmo estava planejando a evacuação de 10.000 judeus para Madagascar.
Antes das propostas palestinas de Schacht de 1938, que eram essencialmente a ação retardada de discussões que começaram tão cedo quanto 1935, numerosas tentativas foram feitas para assegurar a emigração judaica para outras nações européias, e estes esforços culminaram na Conferência de Evian de julho de 1938. Entretanto, lá por 1939 a idéia da emigração judaica para Madagascar ganhou a primazia nos círculos alemães. É verdade que em Londres Helmuth Wohltat da Secretaria do Negócios Estrangeiros alemã discutiu uma limitada imigração judaica para a Rodésia e a Guiana britânica em abril de 1939; mas, em 24 de janeiro, quando Goering escreveu ao Ministro do Interior Frick ordenando a criação de um Escritório Central de Emigração para os Judeus, e designou Heydrich do Escritório Central da Segurança do Reich (Reich Security Head Office) para resolver o problema judaico "pelos meios de emigração e evacuação", o plano Madagascar estava sendo estudado a sério.
Em 1939, os consistentes esforços do Governo Alemão para assegurar a saída dos judeus do Reich tinha resultado na emigração de 400.000 judeus alemães de uma população total de mais ou menos 600.000, e um adicional de 480.000 emigrantes da Áustria e da Tchecoslováquia, que constituiam quase que a totalidade de sua população judaica. Isto havia sido conseguido pelos Escritórios de Emigração Judaica em Berlim, Viena e Praga estabelecidos por Adolf Eichmann, chefe do Escritório de Investigação Judaica (Jewish Investigation Office) da Gestapo. Tão ávidos estavam os alemães de assegurar esta emigração que Eichmann até estabeleceu um centro de treinamento na Áustria, onde jovens judeus podiam aprender agricultura em antecipação a serem "contrabandeados" ilegalmente à Palestina (Manvell & Frankl, S.S. and Gestapo, p. 60). Se Hitler tivesse pensado qualquer intenção de matar os judeus, é inconcebível que ele teria permitido a mais de 800.000 deixar o território do Reich com grande parte de sua riqueza, muito menos considerado planos para emigração em massa para a Palestina e Madagascar. E mais, nós veremos que a política de emigração da Europa estava ainda em consideração durante o período da guerra, notadamente o Plano Madagascar, que Eichmann discutiu em 1940 com os experts do Escritório Colonial Francês depois que a derrota da França tornou a entrega da colônia uma proposição prática.
Com a chegada da guerra, a situação em relação aos judeus mudou drasticamente. Não é muito conhecido que os
judeus do mundo se declararam uma força beligerante na Segunda Guerra Mundial, e que portanto havia ampla
base na lei internacional para os alemães internarem a população judaica como uma força hostil. A 5 de setembro
de 1939, Chaim Weizmann, o principal líder sionista, declarou guerra contra a Alemanha em nome dos judeus do
mundo, afirmando que "os judeus estão ao lado da Grã-Bretanha e irão lutar ao lado das democracias... A Agência
Judaica (Jewish Agency) está pronta para entrar em imediatas preparações para a utilização do potencial humano
judaico, abilidade técnica, recursos, etc..." (Jewish Chronicle, September 8, 1939).
Todos os judeus haviam portanto sido declarados agentes desejando fazer a guerra contra o Reich alemão, e, como uma conseqüência, Himmler e Heydrich estavam prontos a começar a política de internamento. É válido lembrar que os Estados Unidos e o Canadá já tinham internado todos os estrangeiros japoneses e cidadãos de ascendência japonesa antes que os alemães aplicassem as mesmas medidas de segurança contra os judeus europeus. E mais: não tinha havido nenhuma prova ou declaração de deslealdade desses japoneses-americanos como a que havia sido dada por Weizmann. Os britânicos também, durante a Guerra dos Bôeres, internaram todas as mulheres e crianças da população, e milhares morreram em resultado, e de nenhuma maneira podem os britânicos ser acusados de quererem exterminar os bôeres.
O detenção dos judeus nos territórios ocupados da Europa serviram a dois propósitos essenciais do ponto de vista alemão. O primeiro era prevenir descontentamento e subversão; Himmler informou a Mussolini no dia 11 de outubro de 1942, que a política alemã em relação aos judeus havia mudado durante a guerra totalmente por razões de segurança militar. Ele reclamou dos milhares de judeus nas regiões ocupadas que estavam mantendo luta guerrilheira (partisan warfare), sabotagem e espionagem, uma visão confirmada pelo informação oficial soviética dada a Raymond Arthur Davis de que não menos que 35.000 judeus europeus estavam lutando na guerrilha sob o comando de Tito na Iugoslávia. Como resultado, os judeus deveriam ser transportados para áreas restritas e campos de detenção, ambos na Alemanha, e, especialmente depois de março de 1942, no Governo-Geral da Polônia.
Durante o prosseguimento da guerra, a política se desenvolveu no sentido de utilizar prisioneiros judeus como trabalho no esforço de guerra. A questão do trabalho é fundamental quando se considera o alegado plano de extermínio dos judeus, porque, no campo da lógica apenas isto iria ser o mais sem sentido desperdício de homens, tempo e energia enquanto mantendo uma guerra pela sobrevivência em dois fronts. Certamente depois do ataque à Rússia, a idéia do trabalho compulsório tomou precedência nos planos alemães para a emigração judaica. O protocolo de uma conversação entre Hitler e o regente húngaro Horthy em 17 de abril de 1943, revela que o líder alemão pessoalmente pediu a Horthy que liberasse 100.000 judeus húngaros para trabalhar no "programa de aviação de caça" (pursuit-plane programme) da Luftwaffe no tempo em que o bombardeio da Alemanha estava aumentando (Reitlinger, Die Endlösung, Berlim, 1956, p. 478). Isto tomou lugar quando, supostamente, os alemães já estavam procurando exterminar os judeus, mas o pedido de Hitler claramente demonstra sua prioridade de expandir sua força de trabalho.
Em harmonia com este programa, os campos de concentração se tornaram, de fato, complexos industriais. Em todo campo onde judeus e outras nacionalidades eram detidos, existiam grandes complexos industriais fornecendo material para o esforço de guerra alemão - a fábrica de borracha de Buna em Bergen-Belsen, por exemplo. Buna e I. G. Farben Industrie em Auschwitz e a firma elétrica Siemens em Ravensbrück. Em muitos casos, notas de dinheiro especiais para campos de concentração foram dadas como pagamento pelo trabalho, permitindo assim que os prisioneiros comprassem rações extras das lojas do campo. Os alemães estavam determinados a obter o maior retorno econômico possível do sistema de campos de concentração, um objetivo bem diferente de um plano para exterminar milhões de pessoas neles. Era a função do Escritório S.S. de Economia e Administração (S.S. Economy and Administration Office), liderado por Oswald Pohl, garantir que os campos de concentração se tornassem grandes produtores industriais.
É um fato notável, entretanto, que já no meio da guerra, naquele período, os alemães continuaram a implementar a política de emigração judia. A queda da França em 1940 permitiu que o governo alemão abrisse sérias negociações com os franceses para a transferência dos judeus europeus a Madagascar. O memorando de agosto de 1942 de Luther, secretário-de-Estado do Ministério do Exterior alemão, revela que ele conduziu negociações entre julho e dezembro de 1940, quando foram suspensas pelos franceses. Uma circular do departamento de Luther datada de 15 de agosto de 1940 mostra que os detalhes do plano alemão haviam sido feitos por Eichmann, pois é assinada pelo seu assistente, Dannecker. Eichmann havia de fato sido encarregado em agosto de esboçar um detalhado Plano Madagascar, e Dannecker foi mandado pesquisar sobre Madagascar no Escritório Colonial Francês (French Colonial Office) (Reitlinger, The Final Solution, p. 77). As propostas de 15 de agosto eram de que um banco inter-europeu financiaria a emigração de 4 milhões de judeus em um programa por fases. O memorando de Luther de 1942 mostra que Heydrich tinha obtido a aprovação de Himmler para o plano antes do fim de agosto e que também o tinha submetido a Goering. Certamente contou também com a aprovação de Hitler, pois tão cedo quanto 17 de junho seu intérprete, Schmidt, se lembra de Hitler dizendo a Mussolini que "É possível fundar um Estado de Israel em Madagascar" (Schmidt, Hitler’s Interpreter, London, 1951, p. 178).
Apesar dos franceses terminarem com as negociações de Madagascar em dezembro de 1940, Poliakov, chefe do Centro de Documentação Judaica de Paris , admite que os alemães entretanto mantiveram as expectativas, e que Eichmann ainda estava trabalhando com ele através de 1941. Eventualmente, entretanto, foi considerado impraticável pelo prosseguimento da guerra, em particular após a invasão da Rússia, e a 10 de fevereiro de 1942, o Ministério do Exterior foi informado de que o plano havia sido temporariamente abandonado. Esta ordem, mandada ao Ministério do Exterior pelo assistente de Luther, Rademacher, é de grande importância, porque demonstra sem sombra de dúvida que o termo "Solução Final" significava apenas a emigração dos judeus, e também que o transporte aos ghettos e campos de concentração como Auschwitz constituia nada além de um plano alternativo de evacuação. A diretiva conta: "A guerra com a União Soviética tem no meio tempo criado a possibilidade da utilização de outros territórios para a Solução Final. Em conseqüência, o Führer decidiu que os judeus não deverão ser evacuados para Madagascar e sim para o Leste. Madagascar portanto não é mais considerada em conexão com a Solução Final" (Reitlinger, ibid., p. 79). Os detalhes desta evacuação foram discutidos um mês antes na Conferência de Wannsee em Berlim, a qual examinaremos abaixo.
Reitlinger e Poliakov ambos fazem a suposição inteiramente infundada de que, se o Plano Madagascar havia falhado, os alemães estariam necessariamente pensando em "exterminação". Apenas um mês após, entretanto, a 7 de março de 1942, Goebbels escreveu um memorando em favor do Plano Madagascar como a "Solução Final" da questão judaica (Manvell & Frankl, Goebbels, London, 1960, p. 165). No meio tempo ele aprovou a "concentração a Leste dos judeus". Depois, os memorandos de Goebbels também falam da deportação ao Leste (i.e. o Governo Geral da Polônia) e colocam ênfase na necessidade de trabalho compulsório lá; uma vez que a política de evacuação a Leste havia sido inaugurada, o uso de trabalho judaico se tornou uma parte fundamental da operação. É perfeitamente claro do exposto acima que o termo "Solução Final" foi aplicado tanto a Madagascar quanto aos territórios do Leste, e que portanto significava apenas a evacuação dos judeus.
Tão tarde quanto maio de 1944, os alemães estavam preparados para permitir a emigração de 1 milhão de judeus da Europa. Uma descrição desta proposta nos é dada por Alexander Weissberg, o proeminente cientista judeu-soviético deportado durante os purgos de Stalin, no seu livro Die Geschichte von Joel Brand (Cologne, 1956). Weissberg, que passou a guerra em Cracóvia apesar de esperar que os alemães o internassem num campo de concentração, explica que com a autorização pessoal de Himmler, Eichmann mandou o líder judaico de Budapeste, Joel Brand, a Istambul, com uma oferta aos Aliados para permitir a transferência de um milhão de judeus europeus em meio à guerra. (Se acreditarmos nos escritores exterminacionistas, haviam escarçamente um milhão de judeus vivos em maio de 1944). A Gestapo admitiu que o transporte envolvido seria de grande inconveniência para o esforço de guerra alemão, mas estava preparada para permiti-lo em troca de 10.000 caminhões para serem usados exclusivamente no front russo. Infelizmente, o plano não deu em nada: os britânicos concluiram que Brand devia ser um perigoso agente nazista e imediatamente o prenderam no Cairo, enquanto a Imprensa noticiava a oferta como um truque nazista. Winston Churchill, apesar de discursar que o tratamento dos judeus húngaros era provavelmente "o maior e mais horrível crime jamais cometido na história do mundo", contudo disse a Chaim Weizmann que aceitar a oferta Brand era impossível, porque seria uma traição de seus aliados russos. Apesar de que o plano foi sem frutos, ilustra bem que ninguém alegadamente fazendo um processo de extermínio iria permitir a emigração de um milhão de judeus, e demonstra, também, a importância primeva dada pelos alemães ao esforço de guerra.
